Trinca e Fratura Dental (Dente Quebrado)

Trinca e Fratura Dental (Dente Quebrado)

Trinca e Fratura Dental (Dente Quebrado)

Como descrito em posts anteriores, o bruxismo causa inúmeros problemas nos dentes.

Neste post, focaremos nas trincas e fraturas dentárias (dentes quebrados).

Muitas vezes escutamos de nossos pacientes que seus dentes estão ficando fracos, pois passaram a quebrar um após o outro, com períodos de algumas semanas ou de alguns meses entre estas fraturas.

De fato, seus dentes estão ficando mais frágeis, mas normalmente isto ocorre pela sobrecarga a que são submetidos, e não por problemas nutricionais ou hormonais, como costuma-se pensar.

Explicando:

Nossos dentes foram feitos para suportar cargas quando existe um alimento entre eles. São as cargas mastigatórias. Nestas condições, o alimento (bolo alimentar) funciona como um amortecedor entre os dentes superiores e inferiores, fazendo com que o esmalte não toque no esmalte do dente oposto.

Em condições corretas, nossos dentes tocam em pouquíssimos minutos durante o dia (cerca de 20 minutos), apenas na fase final da deglutição (ato de engolir).

Porém, por motivos diversos (veremos em outros posts quais são estes motivos), há um estímulo em nosso sistema nervoso central que faz com que nossos músculos estriados (da qual os músculos da mastigação fazem parte) contraiam-se de forma desordenada. É a parafunção (função à margem da normalidade), mais conhecida como bruxismo.

Esta contração involuntária faz com que os dentes passem a se tocar, sem o alimento entre eles, por algumas horas, ao invés de alguns minutos.

Uma das conseqüências deste contato prolongado são as trincas que vão se formando no esmalte dos dentes. Conforme estas contrações continuam, com o esmalte sofrendo esta sobrecarga, estas trincas vão se unindo, formando trincas cada vez maiores.

Num determinado momento, ocorre a fratura (quebra) do dente. Esta fratura pode ser apenas uma “lasca” que soltou do esmalte, pode ser uma fratura nas resinas ou porcelana dos dentes ou, em casos mais avançados, ela envolve o esmalte (mais superficial) e a dentina (mais profundo) do dente. Isto ocorre quando estas trincas foram avançando da superfície mais externa para a mais interna do dente.

Nestes casos, o tratamento já é mais complicado, muitas vezes envolvendo a necessidade de se fazer uma coroa de porcelana ou um bloco parcial de porcelana (também chamado de inlay ou onlay), além do tratamento de canal (tratamento endodôntico) e, por vezes, uma cirurgia gengival ao redor do dente.

Em casos mais avançados, as fraturas dividem o dente ao meio, fazendo com que sua remoção (extração) seja a única solução.

É possível perceber, portanto, que um problema “pequeno” (apertamento leve, mas contínuo), pode evoluir para um problema bem maior, necessitando de tratamentos como o implante, por exemplo.

É muito comum ouvirmos de nossos pacientes: “Meus dentes estão fracos. Eu estava comendo uma salada e ele quebrou”. Certamente não foi a salada o motivo da fratura do dente. Ele já estava tão trincado que em pouco tempo iria fraturar.

 

Por isto, é muito importante que o profissional esteja atento aos sinais encontrados na boca. Quando são visualizadas muitas trincas em diversas superfícies dos dentes, é um fator indicador que pode haver uma sobrecarga estática (ato de apertar, mas não de ranger) sobre eles.

Cabe ao profissional identificar e agir preventivamente para controlar os efeitos do bruxismo, para que possa ajudar ao paciente a não ter seus dentes fraturados desnecessariamente. Além da perda de um órgão (o dente é classificado como um órgão de nosso organismo), isto gera um custo de tratamento muito maior ao paciente.

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