Lentes de contato – planejamento de caso

Lentes de contato – planejamento de caso

Lentes de contato – planejamento de caso

Lentes de contato – planejamento de caso.

Imagem inicial e final do processo de criação de lentes de contato. Fonte: www.zerodonto.com

Imagem inicial e final do processo de criação de lentes de contato. Fonte: www.zerodonto.com

Nesta postagem, vamos descrever um caso clínico de uma paciente que nos solicitou correção estética de seu sorriso, deixando-nos livres para optar por lentes de contato, faceta de porcelana, coroa de porcelana ou qualquer outro recurso que fosse necessário.

Sua solicitação inicial era para que fossem feitos trabalhos estéticos em todos os dentes de sua boca, tanto superiores quanto inferiores.

Para um trabalho considerado de alta exigência estética como este, são necessárias inúmeras avaliações iniciais.

Seguindo o protocolo de Mauro Fradeani, autor italiano que dedica-se a pesquisas na área estética da odontologia (ver seu site AQUI ), o protocolo envolve:

I – FOTOGRAFIAS

1- Fotografias com o lábio em repouso e com a boca fechada: A-para análise do suporte que os dentes fornecem ao lábio  (conseguimos analisar se o lábio está “murcho”, se existem pregas labiais, se a pessoa possui o lábio muito fino por excesso de tensão, etc); B-para análise do comprimento dos dentes anteriores superiores e inferiores (os lábios fornecem referências para o comprimento ideal dos dentes); C- para verificar se o paciente “perdeu altura dos dentes” através de desgastes ou perdas dentárias ao longo da vida (chamamos de dimensão vertical de oclusão)

Nesta imagem podemos ver que os dentes anteriores inferiores estão alongados, devido ao desgaste dos superiores. Com o lábio em repouso, o bordo dos anteriores inferiores deve praticamente desaparecer, e o dos superiores, aparecer ligeiramente. Fonte: www.zerodonto.com

Nesta imagem podemos ver que os dentes anteriores inferiores estão alongados, devido ao desgaste dos superiores. Com o lábio em repouso, o bordo dos anteriores inferiores deve praticamente desaparecer, e o dos superiores, aparecer ligeiramente. Vemos excesso de inferiores e falta de superiores aparecendo. Isto transmite uma imagem de pessoa envelhecida. Fonte: www.zerodonto.com

2- Fotografias com a paciente sorrindo: A- para avaliação estética do sorriso de maneira geral; B- para identificar se a situação atual da arcada dentária está torta, tanto no sentido lateral, quanto no anterior (há pacientes que não desejam usar aparelho ortodôntico para corrigir e, neste caso, podemos corrigir com as porcelanas); C- para verificar se o formato do arco dentário está muito “aberto ou fechado”, através da análise do corredor bucal (assim conseguimos evitar que a pessoa fique “dentuça” com as novas porcelanas); D- para verificar a altura da gengiva em relação ao sorriso (muitas vezes os dentes estão mais curtos por “excesso de gengiva”, e uma pequena cirurgia faz uma enorme diferença); E- para verificar tamanho, formato e cor dos dentes atuais (dentes escurecidos exigem porcelanas mais espessas, para “esconder” a cor dos dentes originais); F- para agregar informações sobre o comprimento dos dentes (no sorriso, o lábio se posiciona de uma maneira que nos indica o comprimento ideal do dente).

Podemos ver que há uma exposição exagerada da gengiva. Esta pode ser diminuída cirurgicamente para aumentar o tamanho dos dentes e formar uma estética gengival mais agradável. Também é possível notar que os dentes anteriores superiores formam uma linha reta, o que é considerado anti estético. O ideal é que o bordo dos dentes anteriores superiores acompanhem o formato do lábio inferior durante o sorriso. Além disto, a paciente possui alterações severas de forma nos dentes superiores posteriores direito.

Podemos ver que há uma exposição exagerada da gengiva. Esta pode ser diminuída cirurgicamente para aumentar o tamanho dos dentes e formar uma estética gengival mais agradável. Também é possível notar que os dentes anteriores superiores formam uma linha reta, o que é considerado anti estético. O ideal é que o bordo dos dentes anteriores superiores acompanhem o formato do lábio inferior durante o sorriso. Além disto, a paciente possui alterações severas de forma nos dentes superiores posteriores direito. Fonte: www.zerodonto.com

 

Nesta imagem podemos notar que o plano bipupilar (linha que une as duas pupilas) da paciente está alterado, fazendo com que o seu plano de mordida também esteja alterado. Para isto é necessário que haja uma correção do plano de mordida.

Nesta imagem podemos notar que o plano bipupilar (linha que une as duas pupilas) da paciente está alterado, fazendo com que o seu plano de mordida também esteja alterado. Para isto é necessário que haja uma correção do plano de mordida. Fonte: www.zerodonto.com

 

II – MODELOS

Quanto aos modelos, foram feitos modelos superiores e inferiores e montados num aparelho chamado Articulador Semi Ajustável (para maiores informações, ver AQUI). No articulador, podemos fazer várias análises: A-relação dos dentes superiores e inferiores (insto é, analisamos o “encaixe” da mordida); B- se há algum dente fora de posição que esteja alterando toda a mordida da paciente (um dente mal posicionado pode alterar todo o posicionamento da mandíbula, desajustando toda a mordida); C- se há ausência de algum dente, e como poderá ser tratada esta ausência (muitas vezes é necessário colocar um implante para fechar este espaço); D- se o relacionamento dos dentes permitem movimentos da mandíbula de maneira correta (a mandíbula, ao se movimentar, necessita de contatos corretos nos dentes corretos, sob a pena de perder todas as porcelanas feitas); E- desgastes nas superfícies dentárias acentuados, evidenciando um apertamento dental involuntário, que vai fazer com que as porcelanas aplicadas fraturem em pouco tempo.

Análise do modelo. Nesta imagem, já com o enceramento das lentes de contato. Fonte: www.zerodonto.com

Análise do modelo. Nesta imagem, já com o enceramento das lentes de contato. Fonte: www.zerodonto.com

 

III – ANÁLISE MUSCULAR E ARTICULAR

Outra análise também necessária, e muitas vezes negligenciada, é a situação muscular e articular da paciente (para maiores informações, ver AQUI). Foram feitas duas avaliações:

1- Articular: se há presença de estalidos, limitações de abertura, desvios na abertura da mandíbula, etc.

2- Muscular: se há uma situação de cansaço muscular (que pode levar a um posicionamento errado da mandíbula); se existem pontos musculares desencadeadores de dor (chamados de “Pontos gatilhos ou Trigger Points”); se os músculos estão excessivamente contraídos, alterando o posicionamento da mandíbula

Estas alterações geram danos a longo prazo ao paciente, e por isto necessitam ser tratadas. Além disto, quando é realizado um tratamento com lentes de contato, é fundamental que estes problemas articulares e musculares sejam previamente tratados, uma vez que estes podem levar a um posicionamento errado da mandíbula no início do tratamento e, no futuro, quando a mandíbula entrar em equilíbrio novamente, todo o trabalho em porcelana estará perdido.

Em relação ao caso que estamos apresentando , uma vez feitas todas as análises necessárias, foi identificado que a paciente possuía as seguintes características:

1- a gengiva dos dentes superiores estava causando uma sensação de dentes curtos, pois havia gengiva em excesso recobrindo os dentes. Para isto, foi feita uma cirurgia gengival de correção estética, que permitiu uma melhora no tamanho dos dentes superiores.

As linhas brancas indicam onde seria o posicionamento ideal da gengiva. Os dentes estão "encurtados" pelo excesso gengival

As linhas brancas indicam onde seria o posicionamento ideal da gengiva. Os dentes estão “encurtados” pelo excesso gengival. Fonte: Arquivo Pater Odonto

2- em todos os dentes superiores poderiam ser feitas lentes de contato, uma vez que eles estavam em boas condições e nosso objetivo era apenas a melhora estética

3- mesmo com a cirurgia, foi definido que poderíamos aumentar o tamanho dos dentes com as lentes de contato, pois estes tinham sido gastos ao longo da vida

A linha branca nos mostra que o bordo dos dentes superiores está em linha reta, não acompanhando o formato do lábio inferior em sorriso. Este é um indício do desgaste dos dentes. Num padrão estético feminino, esta alteração é significativa. Num padrão estético masculino, seria menos relevante.

A linha branca nos mostra que o bordo dos dentes superiores estão em linha reta, não acompanhando o formato do lábio inferior em sorriso. Este é um indício do desgaste dos dentes. Num padrão estético feminino, esta alteração é significativa. Num padrão estético masculino, seria menos relevante. Fonte: Arquivo Pater Odonto

4- não haveria necessidade de fazer lentes de contato ou outro tipo de porcelana nos dentes inferiores, pois a mordida da paciente era desfavorável para as lentes de contato, assim como o desconforto estético seria integralmente solucionado com a correção dos dentes superiores. Desta maneira, conseguiríamos oferecer uma boa solução sem tornar o tratamento excessivamente caro. Se tivéssemos de envolver os dentes inferiores, o valor do tratamento seria 100% maior. Por questões éticas, consideramos imoral onerar desnecessariamente o tratamento.

5- a cor dos dentes estava um pouco mais amarelada do que o desejado. Sendo assim, pudemos corrigir a cor com as lentes de contato. Além disto, os dentes apresentavam pequenas manchas brancas em sua superfície. Elas também puderam ser eliminadas com as lentes de contato.

6- o posicionamento dos dentes laterais (pré molares) estava inadequado, gerando uma sensação de “afundamento” destes dentes. Com as lentes de contato, pudemos devolver o contorno mais adequado.

Nas áreas marcadas em branco, notamos que há uma sensação de "afundamento" na região. O tratamento ideal, nestes casos, é uso de aparelho ortodôntico, para a correção do posicionamento dental. Porém, a paciente não estava com interesse em usar aparelho ortodôntico. Conseguimos minimizar (não eliminar completamente) este desnível com as lentes de contato

Nas áreas marcadas em branco, notamos que há uma sensação de “afundamento” na região. O tratamento ideal, nestes casos, é uso de aparelho ortodôntico para a correção do posicionamento dental. Porém, a paciente não estava com interesse em usar aparelho ortodôntico. Conseguimos minimizar (não eliminar completamente) este desnível com as lentes de contato. Fonte: Arquivo Pater Odonto

7- a paciente apresentava bruxismo, isto é, uma contração involuntária dos dentes durante o dia e à noite. Este bruxismo, se não é controlado, leva à perda das lentes de contato, pois submete os dentes à forças que elas não foram desenvolvidas. O bruxismo que a paciente apresentava, apesar de não ser tão intenso, era a maior preocupação em relação à durabilidade das lentes de contato instaladas. Para isto foi feita uma placa estabilizadora (antigamente chamada placa miorrelaxante) para uso noturno. Para os períodos de vigília (enquanto permanece acordada), foi feita a orientação adequada para o controle deste apertamento.

Concluídas todas as análises, definiu-se que o tratamento estético comportaria os seguintes procedimentos:

1- Cirurgia gengival para correção estética (plástica gengival)

2- Lentes de contato em praticamente todos os dentes superiores. Isto é, lentes de contato aplicadas desde o primeiro molar superior direito até o primeiro molar superior esquerdo

3- Instalação de uma placa estabilizadora para proteção e manutenção das lentes de contato e dos dentes

Por fim, antes de iniciarmos a real construção das lentes de contato, fizemos uma prova em resina, chamada mock up para lentes de contato.

 

IV – ENCERAMENTO DIAGNÓSTICO E MOCK UP

Para certificação de que a paciente ficará satisfeita com as lentes de contato, foi feito o enceramento diagnóstico e a prova do mock up. Os modelos citados acima foram enviados ao laboratório, com as orientações de formato e tamanho dos novos dentes a serem executados. Neste modelo o laboratório esculpiu dentes em cera com as indicações fornecidas, no formato que serão construídas as lentes de contato.

Com o modelo em mãos, é construída uma guia em silicone. Seus excessos são recortados e esta é preenchida, na boca, com resina. Esta resina, provisória, dará a noção praticamente idêntica às lentes de contato que desejamos instalar.

Guia de silicone, obtida através do enceramento feito no modelo, sendo preenchida com resina, para a confecção do mock up das lentes de contato.

Guia de silicone, obtida através do enceramento feito no modelo, sendo preenchida com resina para a confecção do mock up das lentes de contato. Fonte: www.zerodonto.com

 

Mock up da lente de contato em posição. Esta não é a lente de contato definitiva. Esta permanece em posição apenas durante a consulta, para que a paciente possa avaliar o resultado que será obtido com a lente de contato. Ao término da consulta, esta resina será removida. Nesta imagem podemos observar que o comprimento dos dentes já melhorou muito, que o contorno dos dentes já segue um padrão harmônico com o lábio inferior, que a curvatura está suave, etc. O que não é válido ainda, neste momento, é a cor, pois a resina, por transparência, permite que se veja a cora amarelada dos dentes.

Mock up das lentes de contato em posição. Estas não são as lentes de contato definitivas. Estas permanecem em posição apenas durante a consulta, para que a paciente possa avaliar o resultado que será obtido com as futuras lentes de contato. Ao término da consulta, esta resina será removida. Nesta imagem podemos observar que o comprimento dos dentes já melhorou muito, que o contorno dos dentes já segue um padrão harmônico com o lábio inferior, que a curvatura está suave, etc. O que não é válido ainda, neste momento, é a cor, pois a resina, por transparência, permite que se veja a cor amarelada dos dentes. Fonte: www.zerodonto.com

Uma vez aprovado o mock up por parte da paciente, iniciou-se o tratamento propriamente dito.

O processo de confecção das lentes de contato será descrito no próximo post. Porém, para efeito informativo, colocaremos abaixo a imagem do tratamento antes e depois das lentes de contato finalizadas.

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