Lentes de contato – Execução

Lentes de contato – Execução

Lentes de contato – Execução

Lentes de contato – Execução

Ao término da fase de planejamento das lentes de contato, entramos na fase de execução.

Em primeiro lugar, precisamos nos certificar que o paciente apresenta saúde bucal compatível com as novas lentes de contato.

É necessário avaliar:

1- situação gengival – o paciente necessita, OBRIGATORIAMENTE, estar com a saúde gengival adequada. Uma gengiva doente (inflamada) é uma gengiva que vai, ao longo do tratamento, contaminar as novas lentes de contato (com prováveis sangramentos), comprometendo completamente a durabilidade delas. Além disto, uma gengiva inflamada é instável, isto é, ela retrai com o passar dos anos. Isto significa que uma vez finalizadas as lentes de contato (coladas nos dentes), as gengivas retrairão e começarão a aparecer os bordos da porcelana, transformando-se num trabalho anti estético. Por isto, o profissional não pode iniciar o trabalho de confecção de lentes de contato se a saúde gengival do paciente não estiver completamente estabilizada. Para maiores informações, clique AQUI ou AQUI.

2- cáries – Assim como na situação gengival, as lentes de contato são indicadas para quem tem uma boa higienização dental e, consequentemente, um baixo índice de cáries. Toda instalação de qualquer serviço odontológico é um fator propiciador de novas cáries, por possuir intrinsecamente áreas de retenção de bactérias. Por isto, numa boca com má higienização, é contra indicada a instalação de lentes de contato. Além disto, pacientes que possuem cáries existentes necessitam tratá-las, primeiramente, uma vez que as lentes de contato são um tratamento estético e as cáries são infecções dentais. Numa ordem de prioridade, EM NENHUMA HIPÓTESE, pode ser feito o tratamento estético antes do restabelecimento da saúde.

3- alterações musculares e articulares – como descrito no post anterior (cliqueAQUI), pacientes que possuem desequilíbrio muscular e/ou problemas articulares necessitam restabelecer este equilíbrio, para só então se submeter ao tratamento com lentes de contato (clique AQUI).

Finalizados estes pontos iniciais, inicia-se o processo de preparo dos dentes que receberão as novas lentes de contato. Inicialmente avaliam-se as curvaturas dos dentes que serão envolvidos nas lentes de contato. Isto, é, nossos dentes possuem curvaturas naturais que, se excessivas, necessitam ser eliminadas para que as lentes de contato possam se adaptar corretamente. Estas curvaturas são chamadas de Bossas Vestibulares e seu desgaste é tão sutil que não prejudica a estrutura dental, uma vez que a espessura do esmalte possui, em média, 2,2mm e estes desgastes são da ordem de 0,1 a 0,2mm.

Na sequência, realiza-se a Moldagem Funcional das lentes de contato. Esta fase é de fundamental importância, pois é ela que determinará a boa adaptação das novas lentes de contato. Diversos materiais podem ser utilizados para esta moldagem. Atualmente os mais utilizados são as Siliconas por Adição (ver AQUI), pois apresentam:

1- alta precisão – possuem uma grande capacidade de copiar os menores detalhes dos dentes, garantindo que o laboratório possa ter uma cópia extremamente detalhada dos dentes e da gengiva

2- boa estabilidade dimensional – esta característica permite que o molde obtido não se altere com o passar dos dias, isto é não aumenta e nem diminui de tamanho, sendo mais um fator de precisão do molde

3- hidrofilia – esta característica permite que o material absorva pequenas quantidades de água ou umidade, que poderiam alterar o molde. Num material hidrófobo, por não conseguir “absorver” a umidade, o material copia a gota de água ou umidade que pode estar presente na superfície do dente na hora do molde. Isto faz com que o molde não seja fiel ao dente que está sendo moldado. Sendo a boca um ambiente com alta humidade, a característica de hidrofilia é fundamental para o molde a ser realizado.

Uma vez feito o molde, este é enviado ao laboratório para a confecção das novas lentes de contato. Em nossa experiência, utilizamos um laboratório que trabalha com materiais de alta precisão e qualidade (Ver AQUI). Os laboratórios mais modernos possuem equipamentos altamente sofisticados, que permitem uma adaptação das lentes de contato aos dentes de cerca de 0,15mm (ver AQUI). Diversos materiais podem ser utilizados, mas nossa preferência é o uso de porcelanas de Dissilicato de Lítio Emax (ver AQUI). Porém é importante que o profissional possa avaliar o caso detalhadamente, pois cada caso pode ter uma indicação de material diferente.

Uma vez que as lentes de contato retornam ao consultório, estas são provadas nos dentes, para que se confirme a adaptação destas na superfície dental.

O próximo passo envolve a prova de cor do cimento a ser utilizado. O cimento de primeira escolha para a colagem das lentes de contato é o Variolink LC, da empresa Ivoclar Vivadent (USA – Clique AQUI). Para esta fase, é necessário compreender que as lentes de contato são tão finas que possuem alta transparência. Isto significa que a cor do cimento a ser utilizada irá alterar a cor final das lentes de contato aplicadas (para compreender melhor, clique AQUI).

Feita a seleção do cimento, realiza-se a limpeza dos dentes através de pastas não fluoretadas (nesta fase, o flúor irá aderir à superfície do dente, diminuindo a capacidade de adesão dos cimentos), com escovas profissionais e uso de fio dental, para que se tenha a certeza de que não existe nenhuma placa bacteriana aderida à superfície do dente. Neste momento é muito importante que a gengiva esteja muito saudável, pois um sangramento nesta fase pode comprometer todo o trabalho.

Neste momento instala-se um afastador labial para que não haja contato da superfície interna dos lábios e da bochecha nos dentes. Estas superfícies são carregadas de bactérias, que poderiam contaminar os dentes e as lentes de contato. Além disto, os processos de colagem são reações bioquímicas que não podem, em absoluto, ter contato com qualquer fluido que não sejam os próprios componentes químicos dos fabricantes. Existem diversos tipos de afastadores de bochecha e lábio. Muitos são desconfortáveis. Para procedimentos mais precisos como a colagem de lentes de contato, o mais recomendado é o Optragate (ver AQUI).

Para a colagem das lentes de contato, é necessário o preparo da superfície interna da porcelana das lentes de contato. Esta superfície é a que entrará em contato com a superfície dental, e por isto ela deve ser “ativada”. Para isto, realizam-se dois passos:

1- condicionamento da porcelana. A depender da porcelana utilizada nas lentes de contato, deve-se utilizar um ácido especial para criar “microporos” na sua superfície (ver AQUI). Estes “microporos”, que se caracterizam por uma rugosidade superficial, vão permitir uma penetração do material adesivo em seu interior. Isto aumenta muito a capacidade adesiva dos cimentos. Como o material de primeira escolha é o Emax, como vimos acima, o tempo correto de condicionamento é de 20 segundos. Para outros tipos de porcelana, outros tempos de condicionamento.

2- Silanização da porcelana – Uma vez criada esta rugosidade interna das porcelanas, utiliza-se um silano, Ceramic Bond, da marca Voco (Alemanha – clique AQUI), que é uma substância que “ativa” os íons da porcelana, aumentando ainda mais a retenção desta. O silano deverá permanecer úmido na superfície da porcelana por, pelo menos, 1 minuto, para que consiga fazer as ligações iônicas adequadas.

Na seqüência, ao redor dos dentes, é instalado um fio muito fino, chamado Fio Retrator. Este fio permite:

1- visualização da superfície do dente que normalmente é coberta pela gengiva. Esta região é chamada de Sulco Gengival (ver AQUI) e que é fundamental para a boa colagem das lentes de contato

2- impede que os fluidos existentes normalmente no sulco gengival sigam em direção à superfície do dente, comprometendo completamente a colagem das lentes de contato

O próximo passo consiste em condicionarmos a superfície do dente. Para isto usamos um ácido (chamado Ácido Fosfórico a 37%), por 20 segundos. Este ácido (diferente do ácido usado na superfície da porcelana) também cria a microporosidade, porém esta microporosidade foi criada na superfície do esmalte do dente (ver AQUI).

Procedendo desta maneira, agora temos os dentes bem isolados de qualquer contaminação e as superfícies dos dentes e das porcelanas prontas para receber o cimento.

Segue-se assim à aplicação do Adesivo Dentinário (Tetric N Bond Universal – ver AQUI). O adesivo dentinário tem a característica de penetrar nos microporos do esmalte do dente e da superfície interna da porcelana. Uma vez que o cimento adere quimicamente ao adesivo dentinário, é muito difícil que o cimento venha a se soltar, tanto do dente, quanto da porcelana.

Uma vez aplicado o adesivo, aplica-se ao cimento na superfície interna do porcelana e leva-se a porcelana em posição. fazendo uma pressão leve e gradual, para o correto assentamento das lentes de contato na superfície do esmalte. Esta pressão fará com que o excesso de cimento extravase. Para a remoção deste excesso de cimento, aplicamos a luz fotopoimerizável – aquela luz azul que você costuma ver quando seu dentista está fazendo algum trabalho estético – (ver AQUI) por 2 segundos, para promover um leve endurecimento destes excessos de cimento. Remove-se estes excessos e finaliza-se a aplicação de luz fotopolimerizável (20 segundos).

Uma vez cimentadas as lentes de contato, deve ser feita a remoção do fio retrator e dos excessos finais de cimento, seja nas partes mais expostas dos dentes, seja nas partes mais “escondidas” (entre um dente e outro), para que as novas lentes de contato não sejam nenhum fator de retenção de bactérias, o que levaria à infiltração de cáries sob as lentes de contato recém instaladas, além de processos inflamatórios gengivais.

Como passo final, realiza-se o ajuste de mordida com as novas lentes de contato. É de fundamental importância o ajuste da mordida uma vez que, mesmo com uma força retentiva muito intensa dos cimentos, as porcelanas vêm a fraturar se estiverem sujeitas à sobrecarga.

É importante lembrar que este ajuste de mordida não pode ser feito em apenas uma consulta. Quando fazemos a colagem de lentes de contato (principalmente se forem múltiplas), a boca permanece por muito tempo aberta. Isto faz com que a musculatura fique cansada, alterando a mordida do paciente ao término da consulta. Sendo assim, o ajuste da mordida deverá ser feito ao término da cimentação e repetido após alguns 2 ou 3 dias, para seu refinamento.

É muito importante da parte do profissional avaliar se o paciente apresenta parafunção (comumente chamada de bruxismo). Em caso positivo, o paciente deverá ser orientado para controlar esta parafunção enquanto está acordado e, ao dormir, deverá usar uma placa estabilizadora (também chamada Placa Miorrelaxante – ver AQUI).

 

Vista superior das lentes de contato já instaladas. Notar que não é possível identificar a separação entre o dente e a lente de contato. A cor e a adaptação são perfeitas.

Vista frontal das lentes de contato instaladas nos dentes superiores. Nos dentes inferiores será feito o clareamento para igualar à cor das lentes de contato superiores. Notar o excelente resultado estético, tanto das porcelanas como da gengiva.

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