Diagnóstico de disfunção temporomandibular ( DTM )

Diagnóstico de disfunção temporomandibular ( DTM )

Diagnóstico de disfunção temporomandibular ( DTM )

DTM: Diagnóstico de disfunção temporomandibular

Imagine uma situação quotidiana para quem tem disfunção temporomandibular ( DTM ): estou em casa e, ao final do dia, começo com dores de cabeça que vão progressivamente aumentando, formando uma pressão na região frontal (testa) e “dores atrás dos olhos”. Pouco a pouco esta pressão vai aumentando, indo para a lateral da cabeça até chagar na região posterior da cabeça. Pronto, parece que estou com um capacete me apertando. Passo então a ter, junto com esta dor, um desconforto com luzes e sons, podendo evoluir até ânsia de vômito. Quero ficar dentro de um quarto escuro.

Infelizmente esta situação se repete muito mais do que o imaginado. A maior parte das dores de cabeça em adultos tem as características descritas acima. É a chamada Cefaléia Tensional ou Disfunção Temporomandibular de origem muscular.

A primeira coisa que fazemos nesta situação é tomar um medicamento para diminuir esta dor (analgésico, anti inflamatório, corticoide, relaxante muscular e outros). Porém, o problema terna-se mais preocupante quando esta situação é frequente e o recurso ao remédio passa a ser habitual.

Nestes casos, começa a haver um prejuízo ao organismo de forma sistêmica, pois estes medicamentos têm seus efeitos colaterais e necessitam ser eliminados do organismo, exigindo muito trabalho do fígado e rim, por exemplo.

Além disto, muitos medicamentos, quando usados em doses contínuas, passam a ser eles os causadores das cefaléias (dores de cabeça), piorando o quadro.

Como resolver este círculo vicioso?

Agindo preventivamente.

Não dá pra esperar chegar numa situação de dor intensa para tomar uma ação a partir deste ponto.

Portanto, é necessário buscar ajuda profissional para interromper este ciclo.

Aí entra o diagnóstico da disfunção temporomandibular de origem muscular, feito por um profissional especialista em DTM.

Critérios

Quais critérios o profissional utiliza para este diagnóstico ( e que servem para você se basear se você possui alguma alteração de DTM)?

1- limitação ou alteração da movimentação da mandíbula na abertura de boca

2- dor e/ou fadiga dos músculos da face e crânio (músculos mastigatórios)

3- Dor e/ou ruído na articulação temporomandibular (região 1cm à frente do ouvido)

 

Qualquer um destes três sinais são um indício bastante seguro de que você possui DTM e são eles que o profissional vai avaliar no seu diagnóstico.

Para o diagnóstico de DTM, é feita a Avaliação Clínica, que veremos a seguir.

 

Avaliação Clínica

Dentro desta fase do diagnóstico da DTM, o profissional vai avaliar a sobremordida (com que profundidade o dente de baixo “entra” nos dentes de cima quando morde). Isto indica se a função articular e muscular está adequada.

Sobremordida: importante indicador do funcionamento ósseo e muscular

Na sequência do diagnóstico da DTM, será avaliada a capacidade de movimentação mandibular.

Neste, avalia-se a abertura máxima da boca, tanto em movimento espontâneo (quanto o paciente consegue abrir) quanto em movimento forçado (com pressão dos dedos). Além disto, avalia-se também os movimentos horizontais da mandíbula (chamados lateralidade e protrusão).

Em todos estes movimentos do processo de diagnóstico de DTM pode ser que surjam dores. É importante que o paciente sinalize ao profissional a intensidade e a localização destas dores.

Também nesta fase, o profissional deve atentar-se para possíveis desvios de movimentação da mandíbula, assim como sons articulares que podem surgir.

Você mesmo pode avaliar se apresenta alguma alteração em sua DTM. Primeiramente coloque uma régua vertical na linha que separa simetricamente seus dentes superiores (centro da face). Finalmente, verifique se, ao abrir e fechar lentamente sua boca, há algum desvio maior de 2mm. Isto vale para o trajeto de movimento e para a abertura final. Caso haja algum desvio, é um indício de alteração de DTM.

Também pode observar se, neste movimento, apresenta alguma dor na face ou crânio ou se escuta algum barulho na articulação (região anterior ao ouvido).

Outro exame que você mesmo pode realizar é avaliar a abertura de sua boca. Com uma régua, meça a distância dos bordos dos seus dentes da frente. Em média, valores inferiores a 40 mm são indicadores de alguma alteração da sua DTM.

Mensuração da abertura bucal com régua

Logicamente estes exames propostos não são considerados um diagnóstico profissional. Porém, caso perceba alguma alteração descrita acima, você possui indicadores de que necessita de uma avaliação profissional.

Ainda dentro da avaliação clínica, é feita a avaliação dos músculos mastigatórios.

Nesta fase do diagnóstico da DTM (mais difícil de ser realizado pelo próprio paciente, pois requer experiência em avaliar os resultados), o profissional avalia, em relação aos músculos mastigatórios (masseter e temporal) e participantes da mastigação (sub occipital e trapézio):

espessura dos músculos mastigatórios

existência de trigger points (pontos gatilho)

presença de dor à compressão

tônus muscular em repouso e tensão

presença de faixas endurecidas

 

Alterações identificadas pelo profissional nesta fase do diagnóstico da DTM indicam alterações musculares. Estas levam à redução de estiramento (abertura bucal) e contração (dor ao fechar ou músculo cansado).

Dores durante a palpação (que precisa ser feita com intensidade de força treinada e calibrada), são indicadores de metabólitos intra musculares. Estas são substâncias presentes dentro da musculatura que não deveriam estar ali presentes.

Estas substâncias são chamadas algogênicas (causadoras de dor) e estão presentes quando o músculo é sobrecarregado. Esta sobrecarga é devido a contração muscular contínua e/ou intensa. Uma vez identificada qualquer das alterações acima elencadas, o profissional possui mecanismos para remover estes metabólitos e melhorar a situação muscular. Como resultado, temos a diminuição das dores orofaciais.

Também nesta fase do diagnóstico da DTM o profissional fará a palpação e auscultação das articulações temporomandibulares.

Nesta fase, o profissional busca possíveis alterações articulares, principalmente o estalo (veja AQUI) e a crepitação (veja AQUI).

Neste momento, vale uma explicação:

A ATM (articulação temporomandibular) é um conjunto de dois ossos que se encaixam e que possuem um disco cartilaginoso entre elas. Este disco funciona, junto com substâncias lubrificantes desta articulação, como um corpo que impede o atrito de osso contra osso. Isto vale para o repouso como o movimento, que geraria desgaste e possíveis dores.

Esquema visual da Articulação Temporomandibular

Quando escutamos a crepitação, ouvimos um barulho contínuo durante a abertura e fechamento da boca (não com a boca imóvel). Isto indica que o disco não está fazendo sua função. Sendo assim,  um osso acaba por encostar no outro osso.

Já o estalo indica que o disco está escapando de sua posição correta, que é entre um osso e outro. Este estalo pode ocorrer na abertura de boca, no fechamento ou em ambos. É importante que o profissional identifique em detalhes a fase em que ocorre o estalo. Cada fase indica uma alteração diferente.

Para melhor compreensão do funcionamento da ATM, clique AQUI

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